Clubes de Xadrez das EB Mafra e ES José Saramago, Mafra em partilha
Num dia antecipado com muita expectativa, o nosso Clube de Xadrez deslocou-se ao vizinho Clube de Xadrez da Escola Secundária de Mafra. Agora já não eram jogos "online" com o clube de Xadrez da Freiria (EB23), em directo da sua Biblioteca; agora ia ser em pessoa, no tabuleiro, com alunos de 16-19 anos de idade. Estaríamos à altura ou nem conseguiríamos pensar? Parecia o ambiente antes de um exame.
Encontramos um ambiente muito muito acolhedor, de Biblioteca dos crescidos, grande, com várias atividades em simultâneo, e... Tom de voz baixo. Uau, aqui à nossa frente estuda-se, aprende-se, viaja-se, joga-se, comemora-se, contam-se histórias... Lá ao canto lêem, ali festejam algo, com fotógrafo e tudo, aqui estão 5 tabuleiros todos ocupados com jogadores... Mas então, na nossa Biblioteca da escola-sede do Agrupamento também... Assim, neste ambiente familiar fomos recebidos pela professora bibliotecária Lurdes Fonseca e pelo professor Rosa, dinamizador do xadrez, reformado. Ele mesmo, durante a entrega de prémios (medalhas e diplomas) aos alunos do Clube, referiu o prazer de ser professor e dinamizar a actividade, promovendo a autonomia e a responsabilidade aos alunos que agora se organizam e jogam autonomamente.
Então iniciaram-se jogos sem sorteio, sem ranking e sem escalão - puramente amigáveis. Se os clubes fossem de Futebol federado, estávamos a curtir a jogar uma peladinha.
Os nossos jogadores Bernardo Camocho 5J, Nelson Pacheco 5J, Joao Galupa 6E conseguiram performances bem engraçadas: respectivamente 1vitória 2derrotas, 1vitória 3derrotas, 1vitória 2derrotas. Engraçadas porque todos rimos, sem embaraço para os grandes, quando os ouvíamos dizer "olha, perdi a rainha" ou "olha, mate!", com os nossos jogadores rindo e explicando "então, tu deixaste as peças em tal e tal posição".
Giro foi os nossos alunos verem os jogadores da casa (quer os espectadores quer os adversários!) comentarem o seu jogo e até darem sugestões, fundamentadas e correctas pedagogicamente.
Quando entendemos que falavamos do mesmo (eles a falarem em "fork"/ ou ataque duplo e nós em "forquilha" - o mesmo termo, em Língua Portuguesa), percebemos que valeu a pena ter treinado e estudado. Convicente foi ver os nossos "pequeninos" ouvirem e decidirem por... outra jogada ainda mais forte.
Os princípios básicos do bom jogador estão aprendidos; houve uma diferença fundamental: experiência. Quer o reportório (de aberturas e de finais-de-jogo), quer a memória visual (no reconhecimento de padrões, de quem já teve situações de jogo semelhantes), permitiram a vantagem dos grandes jogadores da Escola Secundária.
Todos, todos, ficamos com a vontade de transformar estes encontros numa prática regular. Afinal, falamos a mesma linguagem. E partilhamos a mesma atitude.
O Xadrez é modalidade de Desporto Escolar. Que tem por objectivo a Formação Desportiva, de valores de "jogo justo" (fair-play), de troca de esperiências pela competição.
Parece-nos que temos, ainda mais, motivos para passar na nossa Biblioteca.
Saudações desportivas, do professor dinamizador,
João Brogueira






